28.8.26

Ai o amor .... essa paz .... essa guerra ... esse armistício .... essa desh amor nia

 

"Ao lado
havia tantas coisas
que eu te queria dizer
se não fosse o abismo
de te perder num afago
de te ter do outro lado
do medo à minha beira
havia tantas coisas
que eu te queria dizer
se não fosse o amor
que há noites ao teu lado
em que me dói não sei
onde é que a distância ai"
Joaquim Castro Caldas
 
 
O Amor Segundo Cortázar
Por Gustavo Corrêa
"Quando na primavera
das nossas peles nuas,
revisitávamos outonos passados
e todas as esquinas escuras de Paris,
percebíamos que o tempo
já não importava tanto.
Havia um compasso ritmo,
uma dança de sombras na parede,
um silêncio que dizia tudo.
Não eram os corpos que se buscavam,
era a alma que transbordava.
E ali, suspensos no ar,
no avesso do mundo,
entendíamos finalmente:
não fazíamos amor,
o amor nos fazia." 
 
O Amor Breve
Por Julio Cortázar
"Com que tersa doçura
me levanta do leito onde sonhava

profundas plantações perfumadas,

passeia os dedos na minha pele

e me desenha no espaço, suspenso,

até que o beijo pousa

curvo e recorrente

para que a fogo lento comece

a dança compassada da fogueira

tecendo-se em lufadas, em hélices,

ida e volta de um furacão de fumo...
Por que, depois, o que resta de mim
é apenas um afogar-se entre as cinzas

sem um adeus, sem nada mais

que o gesto de libertar as mãos?"
 
 

vem uma pessoa com músicas nos bolsos e sonhos nas mãos ....sextas feira à noite sempre assim serão


 

e agridoce serás

Filipa Leal  

DANCE ME TO THE END OF LOVE
(Discos partidos sobre capas de Medeia, 2017)


                    «Dance me to your beauty with a burning violin
                    dance me through the panic till I’m gathered safely in»
                    Leonard Cohen
 

"Dança-me até ao fim da doçura e do pânico.
Dança-me com Cohen ao fundo,
interrompe-me a leitura da Medeia, tu podes.
Conta-lhes, se quiseres, todos os segredos piores:
que não estou a reler Anna Karénina; que estou a ler,
na minha idade, Anna Karénina pela primeira vez.
Diz-lhes que continuo com medo aos 38 anos
e que tenho dois exemplares de algumas tragédias
porque perco a anterior, não sei onde a guardo.
E, já agora, avisa-os que as mães. As mães.
Que uma criança não é logo amarga mas pode ser amarga
no futuro: uma criança amargará.
É melhor ires já avisá-los."

 com música de fundo 

 


 

a poesia dos outros é melhor que a minha

Ary dos Santos  


"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se deságua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!"

traulitar músicas que se descobre tarde mais ....