25.10.17

descoberta nova - Max Martins

No lugar do medo
Todos os dias aqui tu te observas
E ainda está oculta (aqui) a tua semente
Comum será a tua raiz
                                     comum
ao olor da fêmea que atua no teu leito
Sê criativo o dia todo
Te empenha o dia todo cauteloso
                                                   voa
mesmo hesitante sobre o teu malogro
Quer sigas o fogo, quer sigas a água
sê só do fogo ou só da água
(pois que não há caminho
e a lei
é o inesperado)
Ainda oculta (aqui) a tua semente
                                                    está
Para ter onde ir, 1992


1926 / 1959
Já então é tudo pedra
os dias, os desenganos.
Rios secaram neste rosto, casca
de barro, areia causticante.
E onde outrora o mar
- os olhos - búzios esburacados.

E tudo é duro e seco e oco,
o sexo enlouquecido
0 osso agudo
coberto de pó e de silêncios.

Havia uma ferida, a primavera
que já não arde nem desfibra - seca
a flor amarela escura
anêmica impura
- rato no deserto

caveira de pássaro
exposta na planura



Minha Arte

pois que há uma canção em ti
submarina

uma promessa
de água e soma
um som premissa Eu
Eros
quero
te dizer, disseminar, minar-te

  Não para consolar: poemas reunidos, 1952/199

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