No lugar do medo
Todos os dias aqui
tu te observas
E ainda está oculta (aqui) a tua semente
E ainda está oculta (aqui) a tua semente
Comum será a tua
raiz
comum
ao olor da fêmea que atua no teu leito
comum
ao olor da fêmea que atua no teu leito
Sê criativo o dia
todo
Te empenha o dia todo cauteloso
voa
mesmo hesitante sobre o teu malogro
Te empenha o dia todo cauteloso
voa
mesmo hesitante sobre o teu malogro
Quer sigas o fogo,
quer sigas a água
sê só do fogo ou só da água
(pois que não há caminho
e a lei
é o inesperado)
sê só do fogo ou só da água
(pois que não há caminho
e a lei
é o inesperado)
Ainda oculta
(aqui) a tua semente
está
está
Para ter onde ir, 1992
1926 / 1959
Já então é tudo
pedra
os dias, os
desenganos.
Rios secaram
neste rosto, casca
de barro, areia
causticante.
E onde outrora o
mar
- os olhos -
búzios esburacados.
E tudo é duro e
seco e oco,
o sexo
enlouquecido
0 osso agudo
coberto de pó e
de silêncios.
Havia uma ferida,
a primavera
que já não arde
nem desfibra - seca
a flor amarela
escura
anêmica impura
- rato no deserto
caveira de
pássaro
exposta na
planuraMinha Arte
pois que há uma canção em ti
submarina
uma promessa
de água e soma
um som premissa Eu
Eros
quero
te dizer, disseminar, minar-te
Não para consolar: poemas reunidos, 1952/199
uma promessa
de água e soma
um som premissa Eu
Eros
quero
te dizer, disseminar, minar-te
Não para consolar: poemas reunidos, 1952/199
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