29.8.13

inegável

Há pessoas com as quais partilhamos a vocação; essa é a maior aliança que há. Sem trocarmos muitas palavras, sem o pretexto dos pensamentos para criarmos laços de família, o parentesco está lá.

Agustina Bessa-Luís, Contemplação Carinhosa da Angústia, Guimarães, p. 145.

15.6.13

democritus ou democracia

seria mesmo a intenção pintar democritus ou seria personificar a democracia .... a ambiguidade que
aquele sorriso me toma ...
 Antoine Coypel - Democritus

24.5.13

o dever ....sim o dever

O dever
Do escritor, do poeta
Não é encerrar-se cobardementre num texto
Num livro, numa revista de onde nunca sairá,
Pelo contrário, é vir
Para o exterior
E sacudir,
Atacar
O espírito público.
Ou então para que serve?
Para que nasceu?

Antonin Artaud (1896-1948), França, tradução de Soledade Santos

escambrar .......há quem saiba conjugar este verbo ...


23.5.13

fidúcia

                                                                                ou

19.4.13

OPEN WIDE

                                                                             Oprichniki, por Nikolai Nevrev


16.2.13

tava aqui mesmo na ponta da língua ....

"Não maldigo a hora em que nasci. Um instante que seja de íntima elevação espiritual, compensa-nos de muitas dores; robustece o nosso orgulho em que se firma a nossa alma, como o corpo nos ossos do esqueleto. O esqueleto é o orgulho do corpo, a força que o sustenta de pé, – uma força petrificada.
E não maldigo a dor.
O sofrimento é a sensação do Eterno violentando a nossa capacidade de sentir que se exagera, a fim de apreender, dominar, o que existe de mais transcendente e fugitivo...
E assim, adquirimos um heróico e melindroso estado de alma, como íntima ferida sempre aberta, que sangra ao menor contacto. Eis o inferno e o paraíso de todos os poetas que fazem da sua existência uma divina comédia, com letra pequena, é claro. A outra, com maiúscula, pertence aos Deuses."
Teixeira de Pascoaes

9.2.13

And i wonder ....

Tom Hunter 

no telurismo do torga está a simplicidade da vida , não compliquem

"A vida... e a gente põe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os filósofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os teólogos não entenderam na solidão das celas. Nisto, ou então na conta do sapateiro, na degradação moral do século, ou na triste pequenez de tudo, a começar por nós. 
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem. 
A vida é o que eu estou a ver: uma manhã majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crianças — um rapaz e uma rapariga — silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar. 

Miguel Torga, in "Diário (1941)"